A Existência Ética

Senso moral e consciência moral

 

      Nosso senso moral é constituído por nossos sentimento, que nos levam a apreciar, concordando ou não, atitudes alheias ou a exercer alguma ação que possamos, tanto nos orgulhar quanto nos arrepender no decorrer do tempo.

      As dúvidas quanto à decisão a tomar não manifestam nosso senso moral, mas põem à prova nossa Consciência Moral, pois exigem que decidamos o que fazer, que justifiquemos para nós mesmo e para os outros as razões de nossas decisões e que assumamos todas as conseqüências delas, porque somos responsáveis por nossas opções. São ambos, tanto o senso quanto a consciência moral, frutos de um pensamento maniqueísta que não nos abandona.

      O senso e a consciência moral dizem respeito a valores, sentimentos, intenções, decisões e ações referidos ao bem e ao mal e ao desejo de felicidade. Dizem respeito às relações que mantemos com os outros e, portanto, nascem e existem como parte de nossa vida intersubjetiva.

 

Juízo de fato e de Valor

 

      Juízo de fato é tudo aquilo que percebemos independendo de nossos sentimentos ou observações pessoais. São os acontecimentos reais.

Juízo de valor é a percepção pessoal que temos de acontecimentos de fato. É como percebemos o mundo considerando nossas experiências e valores. São normativos já que determinam o dever ser de sentimentos, atos ou comportamentos, segundo critérios de certo ou errado.

Os juízos se diferenciam no sentido de que o juízo de fato representa o natural, o real; e o juízo de valor representa mais a cultura, como entendemos as coisas.

 

Ética e violência

 

      Considerando que em nossa sociedade a violência é entendida como o uso da força física e do constrangimento psíquico para obrigar alguém a agir contra a sua natureza.

      A ética normativa age como uma barreira a esse impulso violento, pois com o a visão do que é correto ou incorreto, suas normas impõem limites e controles ao risco permanente da violência.

 

Os constituintes do campo ético

 

      Para que haja conduta é ética, é necessária a existência do agente consciente, que é a pessoa conhecedora do certo e do errado. Que tem a capacidade de avaliar e pesar as motivações pessoais, as exigências feitas pela situação, as conseqüências, a obrigação de obedecer o estabelecido ou a necessidade de tansgredi-lo, quando o estabelecido é imoral ou injusto.

      A vontade é esse poder deliberativo decisório do agente moral e deve ser livre, não podendo estar submetida aos instintos e às paixões, mas sim ter poder sobre eles e elas.

       O campo ético assim, é constituído pelos valores e pelas obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, isto é, as virtudes. Estas são realizadas pelo sujeito moral, principal constituinte da existência ética.

 

A FILOSOFIA MORAL

 

Ética ou filosofia moral

 

      Toda cultura possui sua própria moral, mas nem sempre isso significa a existência de uma ética, entendida como filosofia moral.

      Nossos sentimentos, condutas, ações e comportamentos são modelados pelas condições em que vivemos. Somos formados pelos costumes de nossa sociedade, que nos educa a respeitar e reproduzir os valores propostos por ela como bons. Valores e deveres devem existir por si e em si mesmos, parecem ser naturais e intemporais, fatos ou dados com os quais nos relacionamos desde o nascimento. Somos recompensados quando os seguimos, punidos quando os transgredimos, em suma, somos verdadeiramente adestrados pela sociedade.

      Sócrates, ao indagar aos atenienses o que são a virtude e o bem, realiza duas interrogações. A primeira visa saber se o que eles costumam considerar virtuoso e bom corresponde verdadeiramente à virtude e ao bem; e por outro lado busca saber se a sociedade, ao agir, possui realmente consciência do significado e da finalidade de suas ações, se seu caráter ou sua índole são virtuosos e bons realmente. A ética socrática, portanto, dirigi-se ao indivíduo e à sociedade. Inaugura assim a ética ou filosofia moral, porque define o campo no qual valores e obrigações morais podem ser estabelecidos, ao encontrar seu ponto de partida: a consciência do agente moral.

      É sujeito ético moral somente aquele que sabe, que conhece as causas e os fins de sua ação, o significados de suas intenções e atitudes e a essência dos valores morais. Sócrates afirma que apenas o ignorante é incapaz de virtude, pois quem sabe o que é o bem não poderá deixar de agir virtuosamente.

      Com Aristóteles aprendemos a diferenciar saber teórico de saber prático. O saber teórico é o conhecimento que temos das coisas, que existem e agem independente de nós e sem nossa interferência. O saber prático é o conhecimento daquilo que só existe como conseqüência de nossa ação e, portanto, depende de nós. A ética é um saber prático. O saber prático por sua vez, se distingue em Práxis e técnica. A ética refere-se á práxis.

      Na práxis, agente, ação e finalidade de agir são inseparáveis, somos aquilo que fazemos e o que fazemos é a finalidade boa ou virtuosa. Dizer a verdade é virtude do agente, inseparável de sua fala verdadeira e de sua finalidade, que é proferir uma verdade. Na técnica agente, ação e finalidade estão separados. Um carpinteiro ao fazer uma mesa, realiza uma ação técnica, mas ele não é essa ação nem é a mesa produzida por ela.

      Os filósofos antigos afirmam três grandes princípios da vida moral:

1.     por natureza, os seres humanos aspiram ao bem e à felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa.

2.     a virtude é uma força interior do caráter, que consiste na consciência do bem e na conduta definida pela vontade guiada pela razão, pois cabe a esta última o controle sobre instintos e impulsos irracionais descontrolados que existem na natureza de todo ser humano.

3.     a conduta ética é aquela na qual o agente sabe o que não está em seu poder realizar, referindo-se, portanto, ao que é possível e desejável para um ser humano. Saber o que está em nosso poder significa, principalmente, não se deixar arrastar pelas circunstâncias, nem pelos instintos, nem por uma vontade alheia, mas afirmar nossa independência e nossa capacidade de autodeterminação.

 

Por natureza somos passionais e a função primeira da ética é a nossa educação de caráter, para seguirmos a orientação da razão.

Enfim, a ética dos antigos é, basicamente:

1.     o racionalismo: agir de acordo com a razão;

2.     o naturalismo: agir de acordo com a natureza e com nossa natureza, que é a parte do todo natural;

3.     a inseparabilidade entre ética e política: isto é, entre a conduta do indivíduo e os valores da sociedade.

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