A Saga de Tobias Jack (the Blues Experience) 06

Olavo Campos

A Musa Etílica

 

“Rapta a mulher
por quem teu seio palpita.”

Eis o que pensa
um homem; A mulher não prende, rouba.

 

 

 

 

É duro viver em um país como o Brasil. Se
alguém consegue, com muito custo e trabalho, um emprego que o sustente, precisa
se prostituir aos superiores para manter-se empregado. A situação não está
muito boa para o trabalhador brasileiro, afinal de contas, com tanto desemprego
e, conseqüentemente, tanta mão de obra disponível, ninguém é insubstituível.

Tobias escolhera uma profissão muito
promissora, ansiava se tornar um publicitário e ter liberdade para divulgar
suas idéias, mas quem adivinharia que o mercado publicitário entraria em crise?
Existe uma crise nas pessoas mais do que nos tempos. Dia-a-dia ele bate de
porta em porta e recua de não em não. Seus sonhos lhe foram negados pelo
destino e pela sua incompetência no sentido de manter a cabeça distante do
negativismo. Largou a faculdade em busca de realização, afinal de contas nunca
quis ser rico, acreditava que amando o que fizesse, sucesso seria o próximo
passo natural. Mas parece que ele nunca alcançará esta meta.

Mas encher a cara se tornara um hábito muito
prazeroso, pois mantinha sua vida social ativa e sua cabeça longe da
insanidade.

Foi ao “Litrus”, encontrou um banco livre no
balcão e chamou o seu barman, o mesmo que sempre o atendia.

         
Lorinho, me vê uma Cachaça e uma cerveja.

Gostava muito de
um cocktail quente antes de começar o seu ritual etílico. Bebeu a cachaça de um
gole só como sempre fazia e sentiu-a descer queimando pela garganta, lhe
aquecendo as entranhas e a moral. Então pegou sua volumosa caneca de cerveja e
foi escolher uma música na Jukebox. “Further on up the road” na versão de Eric
Clapton invadiu o ambiente de assalto, assustando alguns bacantes debruçados em
mesas esparsas.  No balcão, copos são
constantemente retirados e limpos em meio à frenética circulação de seres de
todas as tribos. É um bom lugar para se freqüentar. Pode beber, conversar, e
ninguém se preocupava com a vida deste jovem e fracassado bluesman.

Tobias vê uma bela
mulher na outra ponta do balcão. Uma típica mulher brasileira. Brasileiríssima,
diga-se de passagem, bunda grande, dessas de preferência unânime em nossa
nacionalidade; pernas bem torneadas e lisas, grossas e apetitosas, sua pele era
de uma cor diferente, morena, mas não muito. Seus cabelos castanhos e lisos
cobriam suas costas. Alguns bêbados a incomodavam, diziam que ela tinha cabelo
na bunda, mas o comentário era dirigido ao comprimento de suas madeixas e não a
desenvoltura de seu corpo. Tobias a encarou por tempo o suficiente para
perceber que ela não estava muito feliz, e preferiu não incomodá-la.

Quando o álcool
começo a fazer efeito sobre seu comportamento, Tobias cogitou a possibilidade
de estar dispensando uma oportunidade imperdível, afinal, uma mulher tão
bonita, sozinha e triste não deveria continuar sozinha… Aproximou-se e
iniciou um diálogo não muito longo:

         
Este
lugar está vago?

         
Está, e
este aqui onde estou, também vai ficar se
você se sentar aí.

         
Obrigado,
estava mesmo precisando de dois lugares! Meu copo odeia o balcão.

Foi aí que Tobias descobriu porque ela
estava sozinha. Mas não podia permitir que isso continuasse assim e quis
segui-la, descobrir onde morava aquela deusa dos trópicos. Esperou que ela
saísse e foi acompanhando-a com os olhos para depois se levantar e ir atrás
dela. Seguiu-a até uma rua paralela onde ela tomou um táxi, olhou em sua
carteira, mas só tinha dinheiro para mais algumas cervejas. Assim, Tobias
voltou desiludido para o bar:

         
Lorinho! A saideira!

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