O som do silêncio

A ave não voa ao contrário, por isso sem meias palavras, nem frases bonitas. Somente o céu para homenagear sua vivência, o tempo que ficou na terra.

A chuva caiu na chuva que caiu anteriormente, assim foi a dor de uma mente que sentiu.

Sem maquiagem, somente os fatos, um passo de cada vez, um leve olhar, calmo, na mais pura calma como se pudesse controlar o tempo.

A maquina do tempo não poupa sofrimento.

Senta na cadeira, em frente à mesa, onde sua maior arma está.

Muita calma nessas horas, é preciso colocar o colete à prova de balas antes de digitar.

Vaidade extrema em todos os pólos da elite brasileira, que separa, que higieniza, separa e disfarça.

Aí está a ferida, nego! A vida inteira que vc pecou, é só depositar na urna que tá salvo.

O que vc faz para ter um dia de felicidade? Qual o seu limite para parar de sofrer?

Eu vejo a mãe que fala contente do filho ter entrado no cursinho, quem quer entrar no mercado é mercadoria.

O chato acaba só, reclamando de tudo, escrevendo no psicológico, rima pra caralho, mas não ganha adeptos.

Vc vai ter uma empresa, vai ser bem sucedido, mas o sorriso dos seus amigos nunca vai ver, a cada abraço o outro pensa no que pode tomar de vc.

Entre ser digno com pouco, ou puto com muito, não precisa por a população na balança, quem pode ir já foi, quem não pode espera a chance.

Quantos passos já demos de pé? Quantas vielas já cruzamos, só pra certificar que ninguém é por "nóis", que ninguém sabe o que pega.

Abraça que vamos esperar vc doar o resto da roupa, o quilo de sal, o 1Real no farol. Sobe seu vidro a prova de vida, de pobre, de sorriso, de cara triste.

Vou te falar, meu filho, não abraça falsa esperança, o canal Globo desde pequeno só te engana.

ninguém vai deixar vc olhar o mar, ninguém vai te levar  a um lugar pra vc poder respirar.

Faz vc viver paralelamente a uma novela, sonhar com a moça loira e vida sem trabalho. Artistas perfeitos, sem marcas nem de vacina, pra vc se sentir um merda, um nada.

Na real eu vou te falar, filho de nordestino, vc vai ter que trabalhar. Construir um prédio que não vai entrar, rebocar igreja onde vc não pode orar e depois de ouvir uns maloqueiros vai querer revolucionar.

Nós perdemos o orgulho, enchemos os bares, gritamos pros polícias que somos programados pra morrer.

A real vou dizer só pra vc, filho, que eles esquecem que assim ninguém vai ver

ouça o som do silêncio, Filho

Anúncios
Esse post foi publicado em Crônica. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s