II

Olavo Campos


Desvalido em fortuna e aos olhos dos mortais

Quando choro sozinho ao verme rejeitado

E os surdos céus perturbo em vão com altos "ais"

E amaldiçôo a sorte olhando meu estado.

E almejo ser alguém, bem mais esperançado

De que tivesse o aspecto e as ricas amizades

E como que fruo mais ou menos contentado

Quero a arte deste e doutro as oportunidades.

Quase me desprezo, em coisas tais cuidando;

Mas penso em ti, e logo a minha condição,

Qual a Cotovia na alva a terra abandonando,

Ergue as portas do céu hinos de gratidão

     Pois traz-me tal riqueza o teu amor lembrado

     Que desdenho trocar com os Reis o meu estado.

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