Shakespeare

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Que poções eu bebi de pranto de Sereia,
Saído de alambiques torpes do interior?
Dei esperança ao medo e com este mediquei-a,
E perdi ao pensar que eu era vencedor!
Que erros não cometeu me pobre coração
Ao se julgar mais do que nunca abençoado?
No delírio febril de minha confusão,
Como desorbitei o olhar convulsionado!
Benefício do mal! Agora persuadido,
Bem sei que o mal melhora ainda o que é melhor:
E o amor arruinado, ao ser reconstruído,
Surge muito mais belo, e sólido, e maior.
     Ao meu contentamento assim volto advertido,
     E ganho pelo mal, o triplo do expendido.

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